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Review

V/A
“Attack – Volume 1”

[CD – Horns Up Magazine]

Num tempo em que a música é de fácil acesso e o Myspace é um sublime e muito eficiente catálogo de jovens bandas, poderá ter perdido alguma importância a edição de compilações. Contudo, e apesar de “Attack - Volume 1” estar disponível gratuitamente para download, não deixa de ter a sua utilidade e, sobretudo, representar um nobre auxílio às bandas underground. Em outra análise, esta é também a primeira grande amostra de querer e competência da revista luso-brasileiro online Horns Up.

O primeiro dos vinte temas aqui apresentados vai para o death metal técnico e moderno dos Thriven, facilmente considerados a maior-valia deste disco. Um tema arrojado, com uma vocalização limpa à Opeth pelo meio, que nos deixa, a partir de agora, a querer seguir mais de perto as suas pisadas.

O thrash metal progressivo dos Dynahead são outro mimo neste conjunto de temas. Quer pelo potencial técnico das guitarras, quer pelo arrasador desempenho vocal, tanto limpo como berrado, de Caio Duarte.

Seguem-se os veteranos Distraught. Apesar dos 20 anos de carreira, continuam um nome praticamente desconhecido do grande público adepto do thrash mais tradicional. Mas não é certamente por falta de “veneta”, como podemos constatar por Cradle Of Violence” do seu mais recente registo discográfico, o sexto da carreira.

Já os itSELF começam por parecer mais “disfuncionais” e excêntricos; uma qualquer fusão com The Berzerker, mas a duração escusada de alguns trechos e a pouca variação rítmica comprometem o resultado final, não obstante a sensação que fica de que há muito mais potencial aqui para ser explorado.

Os Thirtheen Degrees To Chaos são a primeira banda “tuga” a surgir nesta compilação e a verdade é que, apesar da notável gravação e da composição muito arrumada, a criatividade é nula. Só mesmo para quem ainda não ouviu todos os possíveis riffs melódicos de influência sueca, com batidas frenéticas e berros rasgados.

Seguem-se os Desalmado. A fraca perceptibilidade da gravação transmite-nos imediatamente o odor a underground. Dois minutos e oito segundos de grindcore como mandam as leis. Nada de anormal e talvez, neste caso, um ponto a favor num estilo que muitos pretendem ortodoxo.

Praticamente na mesma prateleira ficam os Siege Of Hate. “God Killing God” é um nome bem ilustrativo do sentimento que por aqui reina. Para além da génese grindcore, as influências death tornam-nos mais letais do que… os Desalmado, num exemplo mais óbvio.

Até então verdadeiramente espancados por esta compilação, temos tempo de descansar ao som dos Dollar Lama. Mas não o suficiente, pois o pezinho promete não deixar de bater. São actualmente das maiores promessas lusas no âmbito do stoner rock.

Muito fresquinhos estão os Kandia. Formados em 2007 e com um álbum de estreia acabado de lançar, estes portuenses apresentam uma solidez interessante e uma sonoridade facilmente digerível, nomeadamente pela melodia vocal de Nya Cruz. Até podem considerar-se algumas aproximações a Lacuna Coil, mas estão reservadas as salutares distâncias.

Cavalgante e abrasivo, assim é “Reverse The Flow”. Os Paura mostram-se uma banda convicta de hardcore, misturando riffs muito densos com melodias bem vincadas.

Os Cardiac ainda chegam a arriscar o título de “banda dispensável” desta compilação, mas a meio de “Aliança” alguns momentos melódicos revelam-se convincentes o suficiente para os salvar deste “embaraço”. Bom trabalho vocal limpo. Tudo o resto é metalcore do mais convencional.

Os Questions são desavergonhados admiradores dos Biohazard e dentro da considerável oferta punk/hardcore deste disco, os Clearview são os que passam mais despercebidos. Pouca imaginação.

Imaginação também não abunda para os lados dos A Trigger To Forget. No metalcore, feliz daquele que sacar as melodias mais orelhudas – afirmação que não tem necessariamente que ver com mediatismo. Todavia, estes brasucas não o fazem de forma espampanante, mas “Never To Return” acaba por ser um tema com alguns ganchos interessantes.

Numa vertente mais americana e rasgada, os Project46 conseguem destilar riffs e solos muito competentes. Todavia, com o “fantasma” bem presente dos Lamb Of God…

Diferentes, mais furiosos do que nunca, estão os Seven Stitches, projecto português que lançou recentemente a sua estreia em álbum e que comprova, assim, ser um dos nomes mais credíveis do underground local.

“No Turning Back” dos Kamala oferece algum groove mas é manifestamente irrelevante em termos criativos; “Ominous Sea” dos Disrupted Inc., parece querer partir tudo a início mas depois aventura-se por melodias light que confundem as coisas. Na verdade esta discrepância é o que acaba por lhe conferir alguma dinâmica.
Falar dos Gates Of Hell é falar de deathcore. “Hypocrisy”, retirado do recente EP de estreia, “Shadows Of The Dark Age”, expressa todos os clichés do género, embora seja positiva a fibra com que estes músicos os adoptam.

A fechar, Manshuria. No mínimo estranhos, a sua base é o metalcore mas pelo meio sugerem-nos momentos bem calmos. E isto tudo cantado em brasileiro.

Feita uma análise mais ao menos profunda a esta ediçaõ, percebe-se que em termos criativos revela muito pouco. Contudo, fazendo jus aos seus intentos promocionais, à forma muito profissional como foi concebida e ao esforço das bandas em questão para concretizar as suas ambições, este é um trabalho que deve ser honrado e amplamente propagado.
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