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Entrevista Morbid Death - Especial «Echoes Of A Morbid Death»

A fechar uma maratona de artigos relacionados com o lançamento do CD Tributo aos veteranos Morbid Death – “Echoes Of A Morbid Death” –, a SounD(/)ZonE apresenta uma entrevista com o vocalista/baixista e único membro fundador da banda ainda presente, Ricardo Santos. As apresentações já foram escrupulosamente feitas ao longo desta reportagem, por isso resta-nos desejar que também essa nossa homenagem culmine com uma conversa que agrade os nossos leitores e seja, em alguns aspectos, reveladora do estado actual daquela que foi a responsável por uma nova forma de olhar e respeitar o Heavy Metal nos Açores.

Mais um pouquinho e já vos podemos chamar “dinossauros” se é que já não o podemos! Praticamente duas décadas depois com os Morbid Death como se sente? Lindamente! Por incrível que pareça, a vontade em continuar com este projecto continua da mesma forma, intacta!

Tenho até em crer que em momentos de um presumível desanimo, manifestações de carinho como esta do tributo dão-vos folgo para mais… 20, ou quase, anos de carreira!
Sim, sem dúvida! Este tipo de manifestação de devoção e carinho dá sempre mais ânimo. Enquanto os Morbid Death agradarem, nem que seja a uma só pessoa, estaremos aqui de “pedra e cal”! Até que não é nossa intenção de arrumar os instrumentos, nem tão cedo.

Tem mais razões de queixa ou para estar agradado com o público açoriano?
Uma das razões principais de os Morbid Death continuarem no activo são todos os fãs que têm acompanhado e apoiado a banda. Ele é que são os “culpados”, no bom sentido, da nossa continuidade.

Com certeza, um dos capítulos mais difíceis de ultrapassar para os Morbid Death foi o de terem o seu primeiro DVD disponível – uma longa e penosa viagem… Sentem neste momento que valeu a pena?
De facto, foi um processo muito longo. A nível financeiro, sabíamos que dificilmente iríamos repor o investimento feito. O objectivo deste DVD foi o de ficar com um registo audiovisual de um concerto nosso que por coincidência calhou no nosso 15º aniversário. Sempre vale a pena e não estamos arrependidos mas sim satisfeitos com o resultado final.

É sabido que o público nem sempre é o mais fiel no seu apoio ao Metal. Sei que se lamentam dos resultados das vendas. Há alguma maneira de conseguir contornar isso? Talvez investindo seriamente em promoção fora de portas…
Este é um tema difícil de contornar e temos a perfeita noção de que vivemos num meio pequeno; pequeno mas organizado. Qualquer banda gostará de ver o seu trabalho promovido fora de portas, embora seja um meio muito competitivo.

Certamente, ainda mais difícil que tudo isto foi a saída recente do baterista Pedro Andrade. Fale-nos deste período difícil.
É verdade. O Andrade, por razões pessoais, deixou de ser o baterista da banda. Foi mais um período difícil mas completamente ultrapassado.

Este episódio não prejudica então de maneira nenhuma o ambiente de trabalho da banda neste momento?
Infelizmente, para os Morbid Death, a saída de um elemento não será novidade ou inédito. Mais uma vez conseguimos contornar a situação e a escolha para novo baterista recaiu sobre Gualter Couto.

Uma escolha que acabou por ser óbvia?
Já conhecíamos as qualidades do Gualter, daí ele ter sido a escolha para novo membro da banda.

Hoje é o dia da sua estreia. Sabe como ele se sente?
Penso que ele deverá estar bem e tranquilo. Além disso, iremos estrear um novo tema já composto na íntegra com ele. 'Madness' é o tema.

Em relação ao CD tributo, até certa altura nunca quis acompanhar o processo ou ouvir as músicas. Quis guardar a grande surpresa para o final?
Nem mais! Decidi ouvir o álbum após o seu lançamento. Até então, só tinha ouvido os teasers que estavam disponibilizados no site Metalicidio.com e fiquei surpreendido pela positiva.

Quando lhe falaram a primeira vez neste projecto, como reagiu?
Um pouco incrédulo! Nunca pensei que algum dia fosse feito um CD tributo a nós! É uma sensação estranha.

Agora ouvidos alguns temas pelo menos, pode dizer se esperava um processo de adaptação musical tão profundo como aquele que as bandas assumiram na concepção deste trabalho?
Cada banda interpretou o tema escolhido à sua maneira. A ideia era mesmo essa! Está muito bom e este CD é a prova da grande qualidade dos músicos que temos por cá.

Agrada-o então mais essa abordagem do que a de covers?
Prefiro como está! Cada tema está com uma 'roupagem nova'. Se fosse simplesmente tocar covers não traria nada de novo. Como está, está divinal!

Já teve tempo para dar uma palavrinha aos músicos e aos coordenadores deste projecto ou ficará para o dia do lançamento? O que pensa dizer-lhes?
Por acaso, ontem houve um jantar-homenagem com o Director Regional da Juventude, algumas bandas participantes e os respectivos responsáveis por este tributo. Nessa altura, transmitimos-lhes a nossa profunda gratidão pelo mesmo. Estamos “sem jeito”. Para nós é uma honra tamanha devoção...

Na sua opinião, que importância efectiva tem este trabalho? É que para além de um tributo pode servir muito bem todas as bandas envolvidas já que conseguir uma gravação na região não é propriamente fácil…
Este trabalho não serve só de tributo e homenagem aos Morbid Death, mas sim a todas as bandas e metaleiros da Região e devemo-nos todos orgulhar por aquilo que nos enche a alma – o Heavy Metal!

2008 terá sido um ano muito especial para os Morbid Death. Registaram talvez o maior número de concertos desde que se formaram, um elemento tão carismático como Rui Frias regressou, lançaram o vosso primeiro DVD… Que balanço faz do ano que agora findou?
Basicamente disseste tudo! [risos] Foi um ano muito produtivo, sem sombra para dúvidas.

Mas quando nada o fazia prever, 2009 parece ter tudo para ser ainda melhor! Os Morbid Death voltam a fazer uma mini-digressão pelo continente e logo com paragem no mítico SWR Barroselas Metal Fest. Fale-me de como se proporcionou essa nova aventura.
Temos que fazer pela vida e ir à procura de “novas aventuras”. Pela primeira vez em 18 anos de existência, a banda está confirmada num Festival 100% Metal, no continente. Não podemos esquecer que a nossa deslocação deve-se ao apoio da Presidência do Governo Regional e da ANIMA. Este concerto será a 2 de Maio. A 3 de Maio, actuaremos com os Desire mais uma banda por confirmar no Excalibar, arredores de Lisboa, e no dia 5 de Maio com os Pitch Black e Headstone no Metal Point, no Porto. E por incrível que pareça, recebemos um convite para actuar no Metal GDL, em Grândola! Só que tivemos que recusar porque, infelizmente, o orçamento não dá para mais...

Esta será, sem dúvida, a maior experiência de sempre ao vivo em 20 anos de Morbid Death. Estarei correcto?
Já demos inúmeros concertos mas penso que esta será a nossa maior experiência ao vivo. Esperemos que o público do continente goste do nosso trabalho.

Para além do gozo de actuar, não haverá nas vossas mentes a grande vontade e interesse de aprender com a forma como as bandas ditas grandes trabalham ou mesmo os festivais de maior envergadura?
Claro que sim. Estamos habituados ao nosso meio e a como as coisas funcionam por cá e seria interessante saber qual a realidade de grandes festivais e de como as grandes bandas funcionam em tour.

Esperam ter um grupinho de açorianos as vos apoiar nas datas no continente? Já se ouviu falar disso…
Já ouvi falar sobre isso e penso que se irá concretizar. Será bom estarmos longe da nossa terra e ver caras conhecidas noutras paragens! Mais um sinal de devoção aos Morbid Death e nunca saberemos como agradecer tal gesto.

Será também em 2009 que podemos registar a entrada dos Morbid Death em estúdio para gravar o seu quarto longa-duração? Quantos temas já têm reunidos com esse intuito?
É nosso objectivo entrar em 2009 em estúdio para registar o nosso quarto álbum. Se calhar, o álbum contará entre 10 a 12 temas e, neste momento, a banda conta com quase 50% deles já compostos.

Será dessa que gravam fora das ilhas?
Penso que não! O mais provável será gravar cá e depois ser misturado e masterizado com um produtor estrangeiro. Chegou o momento de arriscar algo mais e “subir a fasquia”.

Em termos de sonoridade já não é novidade nenhuma que os Morbid Death estão diferentes. Até que ponto pode ir essa metamorfose?
Quando compomos algo de novo nunca é premeditado, mas sim criado com o estado de espírito do momento, embora reconheça que estamos voltando um pouco às raízes, ou seja, ao “peso”.

Confesso que parecem estar de energias renovadas. Parecem até mais jovens e irreverentes! [risos]
You're fuckin' right!

Por fim, a pergunta é um pouco pragmática, mas não resisto a fazê-la em virtude da validade que a sua experiência neste meio pode ter na sua análise. Como vê a situação do Metal actualmente nos Açores?
Penso que o Metal nos Açores está em ebulição e recomenda-se. Excelentes bandas, Olhar Sonoro, SounD(/)ZonE, Metalicidio, Metal Distro, estúdios e público! Temos tudo, claro que à nossa dimensão! Os Morbid Death querem ainda aproveitar a ocasião para agradecer a todas as bandas envolvidas neste projecto, ao Mário Flores, Cristóvão Ferreira, Bruno “Spell” Santos, Independent Records, Recital Records e a todos que partilham connosco “a mórbida visão da morte”. We salute you!

Nuno Costa
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